quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Soneto Concreto


Palavra por palavra eu alcanço
minha exatidão num verso seco.
Nesta estrofe que parece muda
eu desfaço minhas bordas de abstrato.

Soneto por soneto eu vou fugindo
da minha loucura em gole puro.
Da minha cachaça sem limão ou sal.
Das minhas metáforas sem graça.

Estação por estação eu me perdoo
pela teimosia em misturar
versos doces com água do mar

esperando acreditar que desta vez
mais perto estarei
de um soneto irregular.

(ainda não aconteceu)

2 comentários:

rafael Costa disse...

- Vontade que só quem escreve participa: mesclar doses doces com água salgada.

Abraço, amigo!

Ramon de Alencar disse...

...
- De mãos concretas escorrem palavras
concretas, ainda que de forma tão leve e suave...

Depois de ler esta poesia, eu olhei uma vez mais a imagem de tua mão...

Belas palavras...