sábado, 9 de maio de 2009

Gotas



São as formas de sentir.
Cada átomo em seu devido lugar, num formato absolutamente novo. Cada partícula em mim teria uma opinião agora. Havia uma imensa discussão a respeito das possibilidades do sentir. E o som das gotas despencando sobre o solo...Já estava amanhecendo e o mundo era...eu.
A lua em seu formato singular, e seu desespero de nunca ter sido sol.
Meus substantivos que insistem em ser verbo... São tantos numerais. Sinto os pés congelarem e meu coração explode de fervura. Eu sabia. Era verdade.
A verdade é que eu sempre fui assim, e não poderia ser diferente. Não por não saber, mas por não caber em mim. Só há possibilidade de ser um de cada vez...
Mas o um é outro e volta a ser um. Não, eu também não entendo.
Agora, são as gotas da música que despencam em minhas orelhas, todas elas. E as letras desabam sobre meu pensamento.
Aqui, não há espaço para tudo, mas é possível ser muitos, porque somos assim. Os pensamentos se entrelaçam e só o que resta é o transbordo. É uma maneira de dizer. É só uma delas.
As gotas sumiram, a música acabou, e minhas letras tomaram conta de mim. Hoje sou tão cada uma delas que virei gramática. Embora ainda não saiba qual a palavra que falta no meu vocabulário. Pois não saberia dizê-la. Mesmo assim, ela fica inteiramente pulsando em meus giros e sulcos. Não há mais nada o que fazer. Agora, são só frases que se perderam e ainda não encontraram o caminho.
Boa sorte, lua. Mas, eu ainda prefiro que jamais seja.

2 comentários:

Ramon de Alencar disse...

...
-E tudo me parece assim, tão gota de orvalho...

Thalita Castello Branco, disse...

Gota também é doença.

Saudade.