sábado, 27 de setembro de 2008

Maçãs

Comigo foram três maçãs.
E, depois disso, lá estava eu,
com os pés no chão,
olhando para um universo desconhecido.
Eu me desconhecia.
Eu me desconheço.
Não sei ao menos meu endereço,
e me perco.
Comigo foram três cruzes.
E, em seguida, lá estava eu,
com sangue escorrendo das mãos.
Sem saber qual a motivação que me fez voltar.
Entrei em três arcas,
mas sem par,
e ninguém me perdoou por isso.
(mas, o perdão também entrou sozinho).
Eu também abri os mares, mas foram três,
e, em seguida, eles me afogaram.
Minhas marés são a minha força e meu desespero,
e as minhas velas apagaram minha madrugada.
Tenho medo do tudo e do nada.

2 comentários:

Thalita Castello Branco, disse...

Mãe, filha, espírito santo.

É de se chorar de novo...

Rafael Costa disse...

Entrei em três arcas,
mas sem par,
e ninguém me perdoou por isso.
(mas, o perdão também entrou sozinho).

Nossa que versos perfeitos, inexplicáveis as imagens desses verso que voce sobrepôs.

Como diria Fernando Pessoa
Navegar é preciso, viver nao é preciso.