segunda-feira, 26 de maio de 2008

Em melhor termo


Num passeio em teu sorriso,
sentir tremor de rupturas tectônicas,
me causam calafrios,
em mellhor termo, arrepios.
Em voltas em teu olhar,
encontrar junções do decorrido
e do que ainda não foi vivido,
me traz ansiedade,
em melhor termo, ebriedade.
Caminhar por tuas curvas,
em cruas curvas nuas,
e perceber a ternura da indagação
me traz definição, em melhor termo.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

De cá se vê muito.
Os meninos descalços caminham pelo asfalto ainda quente.
Foi tarde e já se espera a noite.
Os meninos que brincam de cambalhotas
parecem não perceber o tempo passar.
Malabares é hobbie e trabalho.
Cá, são muitos os espantalhos.
Mulheres de peles rachadas
com olhos de quem procura o começo da vida.
Mas, a vida não começa,
o jeito é esperar.
Andando por cima do cheiro,
que mistura azeite, mar e sorrisos.
Capoeira sobre as pedras portuguesas.
É o canto da resistência sobre a opressão.
Som de uma corda
embala as memórias e surpresas.
Pirraça da maresia,
e esse teu sotaque...
Invade, mas é manso.
Cá, até os olhos dançam
por não saber, os pés, sambar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Bumerangue


Delírio.
Instinto.
Assobio.
Suspiro.

Acorde maior.
Acorde, maior.
Marcas nos lençóis e na pele.
Febre.
Suor.

Primeiras horas,
o sol ainda lambe o solo.
Depois vem e morde,
e por fim, morre.

Bumerangue de gente,
estrado quente,
mercúrio, ebulição.

Cansaço.
Corpo refeito.
Eu, você, leito.


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Risos e óculos


Riso, mimo
pequeno e liso.
De onde te enxergo melhor?
De dentro?
Curvas em febre alta que atiçam memórias.
Salivas que te servem de lençol,
quer mais?
De onde te sinto melhor?
Dedos em ritmo lento, lento, acelerou.
Cumpro ordens de desejos seus.
Verdades tão nuas quanto suas.


quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Leito e breu


Meus olhos dengosos
em gestos formais
encontram suas formas
sem saber de que forma
eu preencho a fôrma de teu desejo.
É puro medo.
Pura inocência e malícia.
Fartas carícias em muitas lambidas.
É puro anseio.
Pura vertigem e tontura,
de volúpia em moldura,
e lascívia e ternura.
É puro seio.
Puras curvas em meio
e ao meio, me afogo em carne viva.
É puro leito,
que nos abarca inteiros e sacia.
É puto o tempo
que galopa em rumo
do fim inconcluso
deste breu em par.